Games e a música

Já que comecei a falar de jogos, e estes dias tive um pouco de saudade de alguns bons jogos antigos, resolvi agraciar nossos leitores com algo que compõe a atmosfera (assim como a psicologia construtiva do post anterior) de todos os jogos e estão no imaginário de todos aqueles que estiveram na geração que começou no velho super nintendo: a música.

Bem, quem, em toda a nossa geração, não conhece Mario? Na verdade, uma música que se tornou sinônimo de alegria e diversão, algo composto ainda na era dos 8 bits, apenas com midi nos pobres videogames da época. Sonic recebe o mesmo tratamento, e com eles tantas outras músicas marcantes. Mas veja, era apenas MIDI, sons feitos pelo computador em uma tentativa de imitar instrumentos reais, em uma época que jamais se imaginava que sintetizadores seriam reais. Mas qual era a diferença que fazia tais músicas marcantes?

Não havia muito o que fazer na parte gráfica. Você sabia que o Mario tem um bigode para não necessitar desenhar a boca e uma boina para evitar animar os cabelos? É, por isso o bombeiro-encanador tem aquele visual. Então, como emocionar as pessoas? Concordo que em jogos simples que só queriam nos divertir com macacos arremessando barris nas nossas cabeças não era necessário muita emoção… Mas se não havia história nem expressões faciais, imagens bem definidas, ou qualquer forma de fazer com que as emoções do jogador mudassem em relação ao que ele estivesse vendo, qual o recurso que poderia lhe ajudar? Algo que usasse um sentido diferente da visão! E assim, havia extremo esmero em criar músicas que o fizessem feliz, triste, esperançoso, ansioso, de acordo com o que jogasse. Por isso vales coloridos tinham músicas lindas lembrando cantos de pássaros, e lugares sombrios tinham músicas sinistras… Donkey Kong, Cadillac and Dinossaurs, Mortal Kombat, Top Gear, todos se valeram de músicas marcantes, que ainda vivem nos nossos imaginários.

E então, vieram os jogos que mais necessitavam disso, emoções em polvorosa para que as histórias se tornassem marcantes: os famosos rpg’s! Dragon Quest, Final Fantasy, Chrono Trigger, Mario RPG, Breath of Fire e afins. Mas após ver os primeiros vídeos deste artigo, eu posso comentar com certeza: todas estas músicas ficaram tão dentro dos nossos imaginários que foram quase imortalizadas. Quem já ouviu falar do “Tour de Japon“? Simplesmente foi uma iniciativa, em 2004 do compositor principal da Squaresoft de viajar pelo Japão tocando as músicas de todos os seus jogos junto com uma orquestra. E claro, eram sempre audições MUITO disputadas (existe um DVD da turnê, caso alguém queira procurar). A coisa era tanta que ao tocar a canção da cena da ópera de Final Fantasy VI, dois cantores entram e fazem as vozes dos personagens, o qual não era possível incluir nos velhos 8 bits (apesar de que você acompanhava a letra da canção no jogo).

Para que eu não fique aqui preso apenas a Final Fantasy (e irmãos diretos) e as lendárias músicas de Nobuo Uematsu  – o equivalente ao John Williams do mundo dos games, ficamos felizes com a chegada dos nossos amigos de 32 bits. Playstation e Sega Saturn permitiram simplesmente a chegada do áudio real, gravado para os jogos, e não mais os sintetizadores criados pela placa de som. Com isso, coisas muito mais bem cuidadas podiam ser criadas e marcaram séries. É verdade que as músicas não ficavam mais se repetindo eternamente e agora tinham início e fim – a primeira vez que eu e meus amigos notamos isso foi em uma partida de King of Fighters ’96, com um sonoro “ué, a música acabou?”, para a resposta do colega ao lado ser um “tempo programado de música”… Mal sabíamos que a era das “mp3’s” tinha começado.

Além de séries, também criaram jogos imbatíveis, no qual tentaram ser copiados depois e nunca a altura. Mesmo com gráficos simples (mas ainda assim marcantes), Castlevania: Sympnhony of the Night foi algo tão marcante que estou esperando até hoje algum novo jogo da série que se equipare à ele. A trilha sonora era tão bem feita que é uma das mais replicadas por guitarristas que estiveram naquela época.

Para se ter uma idéia, há alguns meses atrás eu vi uma pessoa no ônibus com um PSP jogando o Castlevania acima! E assim, cada vez que uma sequência de sons dessa toca nossa mente, é como se despertasse todos aqueles bons sentimentos que tivemos durante os jogos. Quem nunca abriu Gran Turismo pela primeira vez e não esperou para ver a nova versão de Moon Over the Castle na abertura? Mesmo para os padrões de hoje, a abertura de Soul Edge é graficamente linda e a canção de abertura deixa você quase hipnotizado.

Tenho pena da geração que só conhece Sou Calibur…

 

Eu falei de Gran Turismo, mas quem não se deliciou quando abriu o Formula 1 ’95 e viu Joe Satrianni e Steve Vai na trilha sonora? Ou as trilhas sonoras “retardadas” de Crash Bandicoot “ba baram badam pou”, quem não lembra do barulhinho quando ele aparece no jogo?). O bom e velho Fox MacCloud em sua nova encarnação 64 bits. E passando pelos PC’s, algo que ninguém imaginaria que se tornaria tão grande no futuro:

Tudo isso se tornou quase uma tradição. Hoje em dia, iniciativas como da London Sympnhonic Orchestra, levam as músicas a todos e a outro nível. E surgem coisas legais como Video Games Live, um festival de bandas tocando apenas músicas dos games.

Não são as músicas dos games, mas é o melhor vídeo do artigo!

 

Mas é claro, chegamos a uma época em que os jogos são altamente imersivos, profundos, com histórias boas – tá bom, alguns – e que prendem você naquele cenário. Até hoje eu fico impressionado com a Itália de Assassins Creed, milhões de vezes mais realista que no filme Red Tails, por exemplo. Mas os jogos de ação e os rpg’s vêm se confundindo cada vez mais, e o gênero isolado de cada um vem ficando cada vez mais para trás. Mesmo Need for Speed em sua nova versão – The Run – é um jogo de corrida, mas com uma história por trás que somente o valoriza e cria um ambiente totalmente diferente do lugar-comum dos jogos de carro: atravessar o país inteiro em uma disputa. Bobagem, não? Só que a corrida é sempre para frente, não há cenários repetidos nem circuitos iguais! E a música, mudando com cada ambiente, é empolgante. Não irei falar de Fallout 3, sou suspeito (só larguei quando consegui todos os troféus no PS 3), mas vou mostrar um co-irmão no qual eu não joguei, mas depois de ouvir o tema principal você sempre irá identificá-lo: http://www.imdb.com/title/tt0485985/

Pergunte se alguém esqueceu algum momento memorável que jogou no qual a música é marcante. Você pode ter bons jogos na sua mente, mas e aqueles onde o sentimento é tão profundo que você não pode esquecer? Posso citar alguns meus:

  • a abertura com o macaco velhinho no gramofone, e o final do primeiro Donkey Kong, quando os créditos sobem e o jogo ainda não acabou (curioso, esse eu não lembro a música)…
  • o final de Final Fantasy VI, contra Kefka (e “Dancing Mad” tocando ao fundo…);
  • a última batalha de Zelda: Ocarina of Time, contra Ganondorf (que vem como Ganon, monstruoso e duas espadas nas mãos);
  • Chrono vs Magus………………………..
  • toda vez que eu jogo Symphony of the Night – toda a trilha sonora é absurda e marca inúmeros combates especiais;
  • Final Fantasy VII e toda a trilha sonora dele. Não há cena mais marcante que se despedir de Aeris;
  • Metal Gear Solid, redefinindo o gênero de espionagem. O final é o mais supreendente que eu já joguei;
  • terminar Warcraft 2: Tidals of Darknes com todas as suas tropas mortas e apenas Uther the Lightbringer para destruir o portal;
  • Mechwarrior 3 e todos os combates (outro que nunca teve continuação a altura) e cenas extras!
  • Marvel Ultimate Alliance 1  e o momento onde Galactus começa a andar pelo meio do planeta Skrull.
  • A última batalha e final de Final Fantasy Tatics;
  • Toda a trilha sonora e os sons ambientes de Diablo 2 (foi o primeiro jogo no qual eu senti uma absurda diferença de jogar com fones de ouvido, e de quão detalhado era). Voltar a vila de Diablo 1 dá uma tristeza em todo mundo que o faz pela primeira vez;
  • Todas as cenas em computação gráfica de Warcraft 3;
  • Fable (outro jogo extremamente genial), se fosse para escolher um momento seria a hora em que ele escolhe entre a espada e a vida da irmã!
  • a abientação de todos os Assassin’s Creed;
  • Fallout 3: o final (sem a DLC);
  • O início de Fable 3;
  • Lego Star Wars, episódio V, e a famosa cena do “I’m you Father” usando uma foto (a parte da foto eu não achei para colocar aqui)!
  • Killzone 2 e a morte de Garza (todas as fases até lá, o companheirismo dos personagens é muito bacana);
  • O último momento de John Marston em Red Dead Redemption;
  • Ucharted 2 e a fuga do templo desabando;
  • derrotar Killer Croc em Arkham Asylum;
  • todos os sustos (sem exceção) de Dead Space, mas especificamente o final surpreendente!

E em uma menção honrosa, que não é um game mas foi derivado dele: o momento em que Sephirot retorna em FF VII Advent Children e começa a música escrita para ele, “One Winged Angel”. Como eu li na época em uma entrevista dos criadores, “Sephiroth deve ter uma impressão superior. Ele é humano, mas não respira, não pisca, nem mesmo muda sua expressão. Sempre calmo e acima de Cloud”. Para mim é o vilão mais icônico dos games (ao menos dessa geração), algo no nível de Darth Vader – guardadas as devidas proporções. Eu veria toda a cena desde o início da corrida das motos até o final, onde os grandes temas do jogo original são revividos, fazendo inveja a qualquer filme de ação famoso!

A música acaba sendo como uma propaganda, constrói a idéia do jogo, assim como a propaganda tem por ideal inicial construir a marca da qual fala. Imortaliza uma série em nossas mentes, nos faz esperar e desejar por uma continuação de peso ou algo que nos traga de volta aqueles bons momentos que vivemos.

Para quem tiver paciência, um grande bônus abaixo: a London Symponhonic Orchestra tocando uma dúzia de grandes temas. Tem uma hora de duração, mas vale à pena:

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