A Valve e o espaço criado no mundo dos jogos

Válvulas na cabeça para regular o fluxo dos jogos – acho impossível encontrar a medida certa entre produção e diversão. Além do que, a Valve quer você:

Valve

Anjo ou demônio? Esperta ou oportuna? Inteligente ou aproveitando o espaço? Essa é a Valve que conhecemos hoje. Começando com jogos simples, criou um sistema de distribuição, que se não pode ser chamado de revolucionário, foi importante e apareceu no momento certo para o mundo dos jogos, mudando a forma como conhecemos o acesso às compras e criando inúmeras “cópias” do seu formato.

Quem vive no mundo dos jogos já ouviu falar do steam. Mas engana-se que a loja, espera, engana-se que seja uma loja, mas espere, engana-se que seja uma plataforma, enfim… O Steam nasceu como um gerenciador para vender os jogos da própria Valve e desenvolvedores parceiros. E acabou crescendo a ponto de ter, segundo a más línguas, 95% do mercado de jogos digitais nos dias de hoje. E continua crescendo e abocanhando outras áreas, chegando ao Linux e a sua TV!

Após Half-Life – e toda a série saída dele – e os derivados mais famosos, Counter-StrikePortal e Team Fortress, seu foco voltou-se (alguém aí conhece algum grande lançamento da Valve após os três citados acima?) para o desenvolvimento do Steam. Continuaram criando updates e novos modos em seus jogos, além de ficarem de olho em quem usava sua engine, mas focaram-se também no que apenas a Apple tinha olhado até aquele momento: a distribuição do software.

A loja Itunes tinha começado ainda com o velho Ipad, apenas vendendo músicas via web. Por um tempo foi o único meio legal de se “baixar” músicas, até que obviamente outros começaram a simular, imitar e copiar descaradamente o mesmo estilo. Ela evolui com a chegada do Iphone e posteriormente do Ipad, já que era necessário distribuir os softwares para as plataformas. Outra que se destaca é a plataforma de distribuição digital da Amazon e o seu Kindle, que aqui não é tão famoso mas lá fora é algo muito comum. Livros digitais nunca foram tão fáceis e tão baratos!

Porque a distribuição digital se tornou uma necessidade para as empresas? Primeiro, o combate ao compartilhamento ilegal. Segundo, a redução dos custos! Evitando a necessidade de mídias e distribuição físicas, isto é, sem o caminhão entregando a caixinha do seu CD na porta da sua casa, temos uma queda abrupta no custo e na responsabilidade. Sem mídias, sem prensagens, sem fábricas! Sem funcionários dirigindo, estocando e vendendo… Por mais que lojas físicas ainda existam hoje, a face do material é o Hardware. Raríssimas são as exceções de softwares ainda comprados fisicamente, algo que aparentemente irá acabar em um futuro próximo.

E pense, se você pode baixar algo oficialmente, porque baixar o pirata? Um pequeno exemplo das músicas: cinquenta centavos de dólar na Itunes. Isso quer dizer que um CD de doze músicas custaria seis dólares. Em uma conversão paupérrima, doze reais. Lembro de uma época, lá pelos idos do tetracampeonato de futebol, em que eram difíceis de se encontrar os lançamentos de bandas de Rock e Heavy. Íamos todos – aqui no Rio de Janeiro – ao largo da Carioca, primeiro procurar os Vinis, e depois os CD’s. Com o passar do tempo os vendedores migraram para a viela ao lado da Biblioteca Nacional, mas enfim, era um tempo em que o dólar funcionava em dois para um, próximo de hoje. E basicamente um CD nacional custava 20 reais, enquanto qualquer CD importado vendido em banquinhas custava 10 dólares, aproximadamente. Lembro-me bem como tinha orgulho do “Forgotten Tales” alemão original, ou o vinil limitado do “Live at Donnington”. A única forma de se conseguir legalmente os álbuns era pedir via importadora, que cobravam na faixa de 30-40 reais os europeus e 50-70 reais os japoneses (em uma época que o Real valia MUITO mais do que hoje). E as encomendas vinham de navio, levando de 2 a 3 meses para chegar. Dá para ver a mudança de paradigma que foi o Itunes, não? Mesmo com atraso para nós Brasileiros, ainda assim a mudança é muito grande. A única perda para mim eram as excelentes ilustrações nas capas dos Vinis…

Então, veio a melhora da velocidade de rede no mundo todo (apesar de ainda ser ridícula no Brasil…), e a facilidade para arquivos maiores trafegarem. Obviamente que a pirataria aumentou, e a guerra do direito autoral explodiu. Afinal, ninguém estava preocupado com o compartilhamento, o fluxo esmagador na rede nem as violações das leis, e sim com o lucro, o único motor quando se é necessário uma grande mudança. Sem entrar no assunto Napster, Kazaa e Torrent, houve alguém que muito posteriormente viu o mesmo que a Valve: o Netflix! Eles hoje são responsáveis por simplesmente 70% do tráfego de rede americano. Como? Um preço aparentemente baixo, acordo com todo o mundo multimídia para vender seus filmes e séries, e muita, mas muita quantidade, derrubando a poderosa Blockbuster! Muito bem, qual a semelhança do lado da Valve? Promoções, muitas promoções, acordo com todo mundo que queria distribuir seus jogos, não importa se grande ou pequeno, e muitos usuários.

Analisando cada parte cuidadosamente, dá para ver que o Steam se tornou o porto dos jogadores de PC – excluindo, claro, a pirataira. Estes afloraram no início da mudança dos consoles de 16 para 32 bits. Quem não viveu a época talvez não entenda, mas sempre existiram jogadores que eram baseados em seus PC’s. O Supernintendo e o Megadrive, por mais que tenham sido inventados para família, ainda eram mais utilizados pelas crianças, que adoravam os jogos leves e coloridos dos consoles. O “boom” da web é considerado em 1995, o ano de lançamento dos dois consoles que mudariam as vidas de adolescentes. De repente jogos de todo tipo entravam na sua casa, e não mais apenas infantis, arcades ou luta. Haviam simuladores de corrida reais, o início da praga zumbifutebol 3despionagem instigante, e tantos outros (vou fazer um post sobre a história dos jogos…) que mudaram a mente de quem jogava. E com um porém: na Europa/Japão/Estados Unidos, o Playstation e o Sega Saturn eram baratos para estarem em todas as casas, e no resto do mundo a pirataria assolava e tornava-os cada vez mais famosos e populares. Não havia ainda banda larga nem troca de arquivos tão efetiva. Mas quando da mudança para o PS2 e o Dreamcast, cada qual teve seu “problema”: o desbloqueio do PS2 demorou muito, e o console era caro para os padrões da época. E o Dreamcast até foi desbloqueado logo, mas era ruim de doer (alguns defenderiam o bom Hardware dele, mas enfim…), a ponto de matar a Sega como fabricante de Hardware! Esse hiato ganhou recém-adultos, criados durante toda a vida com jogos à vontade, e sem nenhum para satisfazê-los. E com novos computadores à sua frente!

Jogos de computador, que era algo quase cult, difícil de se ver e que não se dava muita atenção (tirando os fãs, lógico), de repente ganhou uma legião de fãs. E sim, uma LEGIÃO, a ponto de se formarem softhouses especialistas em jogos de PC, ou então levantar a moral de outras que estavam quase desaparecidas há bastante tempo. Preciso citar uma? Blizzard (ainda sem a Activision)… Não se tocou? Diablo – Warcraft – Starcraft (E Diablo 2 – Warcraft 2 – Starcraft 2 – World of Warcraft…). Quer mais? Lucas Arts, Gaspowered games, Eidos e a Lara, a passagem de Winning Eleven para os PC’s, havia muita concorrência! Sem falar no emulador de PS1 que apareceu fazendo a alegria de muita gente e acabou sendo comprado pela própria Sony – e aplicado na engenharia do ps3… É óbvio que os consoles recuperaram terreno, e o PS2 reinou muito tempo absoluto, com pequenas menções ao N54 e ao Game Cube. Aliás, Wii consegue ser o mesmo hardware e software com pequenas melhorias após dez anos… Até a chegada do Xbox.

Mas retornando, já era um pouco tarde. Uma geração inteira criada com Joysticks em suas mãos começaram a não depender mais dos consoles e passaram usar máquinas de trabalho como diversão. Volantes e gamepads eram lançados a torto e a direito. Muito antes da multiplexidade de um PC de hoje, quando tínhamos processadores de texto e o início da internet, repentinamente Mechwarriors controlavam seus robôs em nossas telas, Luke Skywalker dava lugar a novos Jedis na academia e o Mark Hammil mudava sua atuação para Wing Commander, os X-men pulavam pela primeira vez na sua tela, nascia Fable e o primeiro jogo em que você realmente crescia, chorava e sorria com seu personagem. E não preciso dizer quantas horas foram jogadas sendo morto por Diablo e depois se vingando dele e dois irmãos… A Uther Lightbringer enfrentava Gromm Hellscream, enquanto os esportes americanos – basquele, o hóquei e o futebol com bola oval – tiravam mais algumas de suas horas. Sim City ainda não havia gerado o filhote maldito, The Sims, e Need For Speed pegava carona em Velozes e Furiosos, revitalizando o lendário jogo. Esse ponto fez com que as empresas notassem que donos de computadores não queriam consoles para jogar. Placas de vídeo começaram a ser construídas cada vez mais rápido. A velha e poderosa Vodoo foi comprada pela Nvidia, melhorando as desastrosas Riva tnt 32 e iniciando a série geforce! A ati surgiu como grande rival e produzindo hardwares de video muito bons (até ser comprada pela amd…), e foi impossível parar os jogos nos computadores.

Há um pé aí no console moderno da microsoft, o Xbox e sua versão 360. Primeiro, ele é um PC encaixotado de forma mais bonita. Sim, o hardware em todas as suas versões foi capturado das máquinas comuns que você tem hoje em dia – na verdade, não hoje em dia, pois já é bem defasado. Enquanto houve toda uma discussão técnica para a construção do playstation 3, juntando várias empresas a montarem seu próprio hardware, a microsoft apenas aliou o que já existia há demanda “reprimida”. Reza a lenda que 95% das instruções do Xbox são as mesmas de computadores x86 comuns, enquanto a Sony sempre baseou os PS em Linux – sim, no velho e bom Pinguim! É fácil ver como converter jogos de um para o outro é muito difícil, toda vez que alguém deixa de ser “exclusivo” de uma plataforma leva meses para converter seus jogas para a outra. Mas é fato que converter jogos de computadores para a Xbox é algo bastante tranquilo. Que tal o caso recente de Dawnguard?

Eu mesmo só fui ter um PS3 anos depois, e até me arrependo. Porquê? Pelo modelo da indústria de 30/60 dólares. Para quem não sabe, esse é o padrão atualmente: 60 dólares os jogos em lançamento e 30 dólares os jogos usados. Cada loja é livre para fazer sua promoção – não sei se há limitações, lojas como a shopto e a playasia ficaram famosas pelas promoções – e obviamente isso não é muito bem aplicado aqui no Brasil. Melhorou do ano passado para cá, mas ainda assim, é caro para os nossos padrões. E nas lojas virtuais – Live e PSN – vigora exatamente esta lei. Triste é ver jogos de PS1 sendo vendidos a dez dólares desde o lançamento do PS3, que já está em que, quatro anos? Como disse, melhorou do ano passado para cá, mas porque somente agora?

Não posso dizer se foi a concorrência, mas o Steam começou a se tornar altamente popular e ter uma biblioteca de jogos muito grande. O indício maior da plataforma ser mais agradável foi quando vários desenvolvedores começaram a abandonar a Live e adotar o SteamPlay – base para troféus e conquistas, além de jogos em rede e cooperativos. Muitos também comentam como é difícil incluir novidades ou mesmo correções de segurança dos jogos. Eles precisam ser “certificados” para estarem nas redes oficiais, e isso significa dinheiro pago para Sony e Micrsoft a cada atualização incluída nos servidores deles. No Steam não existe a certificação…

Livre dos custos de distribuição, promoções são frequentes e atraem cada vez mais jogadores. E além disso, houve uma sacada genial a partir de Portal 2: fornecer jogos para Mac. Claro, Macs são muito comuns nos Estados Unidos (eu acho isso uma lenda…) mas a base é grande. E foi o primeiro jogo (que eu saiba…) em que jogadores de PC e Games estiveram juntos. DC Universe online tentou mas acabou separando os servidores por conflitos durante o jogo. O steamplay é mais do que conquistas, é uma rede social integrada para jogadores tanto de PC quanto de Mac, mensagens, fóruns, ou seja, uma socialização um tanto restrita. Parece propaganda, mas a experiência funciona da seguinte forma: pause seu jogo – sim, no meio do jogo – e chame a Api do Steam – ah, diria você, os consoles também fazem isso – e continue usando como se nada estivesse acontecendo. Dê upload em seus screenshots, fale com os amigos – não importa em que jogo e em que local – acesse os fóruns ou mesmo vá para a loja. Restrições que os consoles forçam você a desligar seus jogos para fazer.

Foi localizada cada brecha e se aproveitando o espaço. Qual foi a primeira preocupação da Valve com o Windows 8? A Microsoft está criando sua própria loja. E tanto a Valve quanto a Blizzard reclamaram publicamente como se o Win8 fosse ruim para jogos e prejudicasse o usuário. A preocupação não era realmente essa, e sim que alguém poderia assumir a distribuição dos jogos digitais no seu lugar. Assim como a EA está tentando com o Origin e a Ubisoft com o Uplay. E qual foi a resposta? Não uma, mas várias.

Primeiro, testar a receptividade do usuário casual, criando o Steam para TV’s (eu ia escrever televisores, mas a televisão morreu faz tempo, são todos monitores), o Bigpicture. Muitos tem consoles ligados nas telas que ocupam suas salas, mas acredito que deva ser uma quantidade ínfima de pessoas que possui PC’s no lugar. Sendo assim, se o retorno do serviço for muito bom, advinhe qual seria o próximo passo? A contratação de Engenheiros de Hardware pela Valve já começou, quanto tempo até o console próprio ser criado?

Algo que todo mundo notou que era simples demais e ninguém nunca tinha pensado nisso… Escolha com o direcional e aperte um dos quatro botões para letra que quer. Nunca será como um teclado, mas de todas as opções até hoje se tornou a mais rápida!

O trailler oficial do Big picture. “The browser for TV doesn’t sucks!”

E mais, resolveram atender a fatia do mercado que ainda não era privilegiada pelo serviço, o Linux! Talvez por ver a loja da Ubuntu ter um certo sucesso, ou pelos Humble Indie Packs fornecerem as versões dos seus jogos para Linux e serem muito bem aceitos, ou mais que isso, focar em um mercado independente do SO, ou ainda mais, atender aqueles que as grandes empresas não dão muita atenção (tirando a Nvidia). Ainda se depende do Wine e poucas coisas são realmente portadas para as Distros. Apesar de que o Desura já estava de olho nisso…

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