A experiência com o Windows 8 – após uma semana…

Minha intenção era conviver diariamente com o Sistema Operacional (SO) em uma máquina de produção. E agora, após alguns dias, a visão que tenho possui dois pontos diametralmente opostos. Primeiro: é altamente estável. Aumentaram ainda mais a preocupação que já havia desde o lançamento do Win7 contra travamentos e problemas de segurança. (Comentário do Renato: a preocupação mais antiga do Windows, quem não lembra da tela azul da morte na pré-estréia do Windows XP, quando o Tio Bill ficou roxo de vergonha na sua apresentação.)

Segundo: possui uma ideia excelente e altamente desperdiçada. Desperdício, talvez seja esse a palavra que melhor identifique a falta de uso da interface “Metro”.

A nova versão do Windows tem sido algo que simplesmente se espera de um SO: funcional, prático, atendendo suas necessidades e sem dores de cabeça. Por dores de cabeça entenda erros, travamentos, problemas para instalações e a dificuldade com drivers para hardwares, antigos principalmente.

Como comentei no artigo sobre a instalação, ele é por início o Windows 7 com toda a sua vasta categoria de drivers e suportando a maior parte de tudo que já tinha sido previsto ou criado para o Windows antes. Propositalmente algumas coisas tem sido feitas sem apoio para o Windows XP, como no caso de Call of Duty: Black Ops II. Mas como citado no texto da Kotaku Brasil (o link anterior…), eles construíram o jogo todo baseado no DirectX 11. Se pararmos para pensar, o DX 11 foi incluído no Service Pack 2 do Windows Vista (em maio de 2009), e somente agora impõem uma exigência real por ele, mais de três anos depois (como disse no artigo passado, muitos ainda dependem do DirectX 9). A limitação tem sido mais sobre as necessidades em casos específicos – como a parte gráfica – do que realmente mudanças grandes que evitassem softwares de funcionar. Hoje mesmo programas criados há dez anos atrás funcionam perfeitamente. Essa retro compatibilidade, que sempre foi uma das dificuldades da Microsoft, hoje parece muito bem atendida.

O que já era funcional, ao menos para o usuário básico, está lá. Tudo muito conhecido, como WinRar, Firefox, coisas problemáticas (atualmente…) como Flash, jogos em geral, programação – IDE’s antigas como Dev C++ funcionam normalmente – de todo tipo, indo do Python ao Visual Studio, os CoDecs multimídia, ou seja, o Windows 7 chegou em um estágio estável onde “telas azuis da morte” são coisas que só podem ser contadas por nós, mais velhos na área.

O Cdisplay, que foi criado para ler quadrinhos e descontinuado em 2004 (o Cdisplay Ex só foi criado em 2010 e ainda usa a mesma base) está lá firme e forte! Ao lado do python 2.7 e o office 2013!

Precisei instalar manualmente o Game for Windows Live. Os jogos que deveriam instalá-lo (como o F1 2011 da imagem) não o fizeram, não entendi o por quê. E sem ele os jogos baseados na Live não iniciam. Foi o único “gato” que eu tive que fazer…

Mudar para o Win8 hoje em dia somente se justificaria pela nova forma de utilizar e as grandes facilidades ao usuário (e a quem tiver uma tela de toque). Isso tudo se baseia na interface aí em cima, que repito, para mim foi uma ideia genial (ou claro, que em algum momento do futuro seja forçado pela Microsoft…).

Só que a demora para incluir os aplicativos no formato Metro já chega a ser ridícula, ele será entregue ao usuário final em outubro sem opções! Eu tentei usar o novo aplicativo para músicas, mas ele trava toda vez que inicia a “tocar”. Até lê as listas, mas não consegue iniciar nenhum formato de áudio… O aplicativo de mensagens, esse foi a coisa mais irritante.

Imagem da loja, porque já desinstalei os aplicativos…

Quando iniciei após a instalação, o Win8 pediu a minha conta da Live. Eu a incluí, querendo ver como ele poderia me auxiliar. Automaticamente meus emails começaram ser lidos pelo aplicativo mostrado na imagem acima, e minhas mensagens foram recebidas pelo respectivo aplicativo de mensagens. Eu já tinha ligado minhas contas do Facebook e Google+ ao messenger, então a Live incluiu tudo automaticamente.

Foi o maior pesadelo da minha vida (da última semana)…

Imagine que todas as vezes que meu micro liga eu recebo a mensagem de que o programa me auxiliará a falar com os amigos. Bem, eu estou tentando até agora descobrir como me colocar “offline”… O tempo todo eu era mantido online em três serviços de mensagens diferentes! Pode ser muito legal para quem passa o dia inteiro com o Facebook aberto, mas há momentos em que é preciso o mínimo de concentração, não consigo me manter sendo chamado o dia todo, como dizem os americanos, 24/7. Procurei, procurei como mudar isso e não encontrei, e por fim desinstalei.  Veja que se houver uma opção oculta de mudar seu estado para “ocupado” ou “ausente”, um usuário comum não vai chegar nem na metade do que eu fiz, preferindo ficar com o velho messenger.

Eu não consigo ver fotos nos meus próprios dispositivos sem uma conta na Live?

Eu vi um comentário no bola presa (um dos melhores blogs de basquete que eu conheço,  para quem gosta de esportes é um prato cheio!), neste artigo, sobre como o lendário Paint tinha se tornado quase uma “danação”, destruído, descaracterizado, etc, etc… E fui eu caçar essa nova versão que teria sido tão ruim, já que aquele que conhecemos continua por aqui muito bem aconchegado. Encontrei na loja da microsoft este programa, o FreshPaint, até aparentemente bem bacana. Dá para notar que ele tenta emular uma paleta de pintura, com funções interessantes. Como eu desenho com a tablet (a mesa digitalizadora, não o Ipad…) me animei imediatamente. A interface me lembrou o autodesk sketchbook, ou o corel painter sketchpad, que tem opções bastante visuais e bem mais simples do que outros mais densos e baseados em contribuir com  a maior quantidade possível de pincéis.

Só que de primeira eu vejo o quanto algo que parecia muito bom foi completamente desperdiçado. Não tenho uma tela de toque que pudesse testar se ele compreende a sensibilidade, mas ele não detecta diferenças de pressão da caneta.

Diferença de texturas imitando pincéis e tinta. Em um tamanho pequeno você quase não percebe a diferença…

Ele é claramente um programa baseado em pintura e não edição rápida de imagens, como é o Paint do Windows. Mas sem a detecção de pressão pintar é algo bem complicado.

Dois esquetes MUITO rápidos e grosseiros, mas suficientes para perceber a diferença: planificando uma cabeça. O da esquerda, no FreshPaint, sem pressão na caneta. O da direita, no Paint Tool Sai, com pressão. É fácil ver que desenhar sem o reconhecimento leva a muitos riscos e mais dificuldade apagando linhas indesejáveis. Com pressão, o traço é muito mais preciso, sem falar da largura da linha de acordo com sua força, como se fosse um lápis/caneta/pincel de verdade…

E a última curiosidade é que o Office 2013, que já está em preview (tema de próximo artigo), não integra-se ao Metro. Sim, ele funciona na área de trabalho antiga…

Note como ele se adequa a ideia de ter todas as opções de forma visual e acessível, mas está ali embaixo, na barra de tarefas, e não no canto esquerdo, na área de troca do Metro.

Aplicativos que precisam ler pastas são bem legais, mas os de imagem carecem de uma pequena diferenciação: eles não mostram quem é pasta e quem é arquivo. Imagine isso em uma pasta de imagens, que possui outras pastas dentro. As imagens são mostradas, mas as pastadas que estão lá possuem o preview das imagens que estão dentro. Para você, tudo é imagem (ou tudo é miniatura delas), a menos que conheça o que tinha guardado.

O Chrome usado via metro tem um pequeno problema, causado pela natureza dos aplicativos: como ele nunca se retira da memória, após fechar todas as abas ele irá considerar que não foi fechado corretamente ao abrir novamente.

Sim, essa é a idéia dos aplicativos: eles ficam “adormecidos”, nunca são retirados da memória RAM. Existe uma forma de organizá-los e descarregá-los automaticamente pelo Sistema Operacional, caso necessite da memória livre. Mas eles irão ficar lá permanentemente… Por isso o programa de mensagens mencionado lá em cima ficava o tempo todo ativo, assim como o aplicativo de emails, clima, notícias… Se não for desinstalado, não irá parar. Não há opção para isso em nenhum deles! A menos, claro, que você não configure nenhuma conta neles. Mas ainda assim, pasmem, continuarão lidos na memória.

E com isso, fica a ideia de “desperdício”. Ouvi de um amigo que está no mundo da Apple há anos que o Metro se tornará um “menu iniciar de luxo”. Ainda acho a interface muito boa, mas dependerá de como será aplicada e aceita pelas pessoas. Nos primeiros dias eu usava apenas a tecla do Windows. Isso fazia com que eu chamasse o Metro ou voltasse para o último aplicativo. Windows + tab rodava entre eles, mas como as opções são visualmente muito grandes e estão do lado (e não abaixo), se tornavam muito fáceis de buscar, sem um movimento grande ou brusco dos olhos (ou cabeça). Uma miniatura da tela ao invés de um ícone é muito fácil de escolher, e isso fez com que a velocidade com que eu trabalho crescesse muito e de forma confortável, sem grandes esforços. Foi sensível como eu girava pelos programas com muito mais facilidade, sem dificuldades para identificá-los (é claro, as telas grandes que temos hoje ajudaram e muito esse tipo de pensamento a nascer). E a ideia de os programas estarem sempre “onload” seria útil de pendendo do caso, mas obriga à todos terem no mínimo 8 Gigas de RAM para se sentirem confortáveis (sim, com o que aparece ali em cima no screenshot eu tenho 3 Gigas de memória utilizados. Deixa abrir o Photoshop para você entender como o problema cresce…). Algo que talvez nos EUA e no Velho Mundo seja fácil, mas ainda não é tanto na nossa América. Fico me perguntando como isso funcionará em Tablets, que não tem tanta memória assim.

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